o morro dos artistas

Santa Teresa, Rio: o guia completo do bairro

Um guia completo de Santa Teresa, o morro boêmio do Rio: o bondinho, os ateliês e bares, onde comer, se é seguro e como se compara ao Vidigal.

Santa Teresa, Rio: o guia completo do bairro

O bondinho amarelo faz a curva acima da Rua Joaquim Silva com um som de sino batido, e por um segundo Santa Teresa inteira, no Rio de Janeiro, se inclina para dentro da janela — escadarias azulejadas, mangueiras pesando sobre os muros dos jardins, uma encosta de casas coloniais empilhadas acima da cidade velha. Este é o bairro que os cartões-postais de praia esquecem, e o que os artistas cariocas se recusam discretamente a abandonar há cem anos. Eis como lê-lo, andar nele, comer nele e decidir se vale a pena dormir nele.

Santa Teresa fica num morro íngreme bem acima do Centro do Rio, olhando para baixo em direção aos Arcos da Lapa e para fora, cruzando a Baía de Guanabara até o Pão de Açúcar. É um bairro curto em área e comprido em reputação: o endereço que os escritores, pintores e músicos da cidade escolheram quando Copacabana ainda era brejo, e o que eles defenderam quando os incorporadores vieram bater à porta um século depois. As ruas são de paralelepípedo e vertiginosas. O bondinho ainda circula. As casas se apoiam umas nas outras em cores que já foram caras e ficam melhores agora que a tinta desbotou.

O que Santa Teresa não é, é um bairro de praia. Não há areia aqui, nem calçadão, nem mergulho matinal antes do café. O que ela tem em troca é altitude, atmosfera e a sensação de uma vila que foi deixada no alto de um morro enquanto o resto do Rio se espalhava lá embaixo. Você vem aqui pelo bondinho, pelas vistas, pelos ateliês, pelos bares tortos e pelo prazer específico de estar acima da cidade em vez de dentro dela. Você vem, em resumo, por um Rio diferente daquele que os guias vendem no varejo.

Santa Teresa em noventa segundos

Se você não ler mais nada, este é o bairro numa caixa só.

  • O que é. Um bairro de artistas no alto de um morro acima do Centro, alcançado pelo bonde amarelo (o bondinho) por cima do aqueduto da Lapa. De paralelepípedo, colonial, boêmio, íngreme.
  • O passeio único. O bondinho de Santa Teresa, cerca de R$20 ida e volta, da Estação Carioca, no centro, subindo por cima dos arcos. É o próprio motivo de vir.
  • Os três grandes pontos. O bondinho em si, o Parque das Ruínas (mirante gratuito) e a Escadaria Selarón ao pé do morro.
  • A cena. Ateliês, um domingo de estúdios abertos, botecos em torno do Largo do Guimarães e do Largo das Neves, feijoada no Bar do Mineiro.
  • A ressalva honesta. Ruas tranquilas convidam ao furto oportunista. Ande pelas rotas principais, cuide do celular, pegue um carro para subir e descer depois do escurecer.
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O bondinho, e como de fato andar nele

Tudo em Santa Teresa começa com o bondinho, então comece por ele. O bonde — nome carioca para o pequeno bonde elétrico de laterais abertas, pintado de um amarelo canário que não mudou na memória de ninguém — é o último de uma rede que um dia entrelaçou a cidade inteira e hoje percorre uma única linha restaurada morro acima. Não é peça de museu tirada para turista ver. É uma parte funcional do bairro, usada pelos moradores para levar as compras para casa e as crianças para a escola, e é exatamente por isso que andar nele parece ser alguma coisa, e não nada.

Você o pega no terminal da Estação Carioca, na Rua Lélio Gama, a dois minutos de caminhada morro acima da estação de metrô Carioca, no Centro. A fila se forma sob um toldo verde. As tarifas são baixas — conte com algo em torno de R$20 pela ida e volta na época em que este texto foi escrito, pago na estação — e o funcionamento das bilheterias vai mais ou menos do início da manhã ao começo da noite nos dias de semana, com horário mais reduzido nos fins de semana. Confira os horários atuais na véspera, porque a grade aperta sem muito aviso e o último carro descendo sai mais cedo do que você imaginaria.

O trajeto é o espetáculo inteiro. O bondinho sai do centro, entra nos Arcos da Lapa — o aqueduto branco do século dezoito que atravessa o vale em dois pisos de arcos — e o cruza com nada além de uma grade baixa entre você e o abismo. É este o momento pelo qual as pessoas fazem o passeio: quarenta segundos chacoalhando acima da Lapa com a catedral atrás de você e o morro subindo à frente. Depois ele escala, rangendo por ladeiras de paralelepípedo tão estreitas que você poderia apertar a mão de alguém na sacada, passando pelos primeiros ateliês e pelos primeiros bares, rumo às duas pequenas praças que ancoram o bairro.

Ande do jeito certo. Sente-se do lado esquerdo na subida para ter o melhor da vista sobre a cidade e a baía. Segure a bolsa no colo, não no parapeito de fora — as laterais abertas são metade do charme e metade do risco, e um celular fotografado para fora da borda é um celular oferecido para a rua. Na primeira vez, vá até as paradas mais altas em vez de saltar na primeira esquina bonita, para aprender o formato da linha antes de começar a escolher onde descer. O ponto central é o Largo do Guimarães; a linha segue além dele em direção ao Silvestre, perto do pé da estrada que sobe para o Corcovado.

Uma observação prática que salva o dia: o bondinho é popular e os carros são pequenos, então lotam. Vá cedo, ou vá no meio da tarde depois que a primeira leva escoou, e evite o aperto do fim da manhã, quando três grupos de excursão chegam de uma vez. Se a fila estiver longa, subir a pé desde a Lapa é perfeitamente possível — é íngreme, mas curto — e você pode voltar de bondinho na descida, que é sem dúvida a direção melhor para a vista, aliás.

Um bairro de morro do Rio na luz quente do fim da tarde, casas empilhadas pela encosta
O morro faz seu melhor trabalho na última hora de luz, quando a tinta esquenta e a cidade lá embaixo começa a brilhar. ← programe seu passeio para o fim da tarde

Como chegar, do jeito sensato

Santa Teresa é central, o que a torna fácil de alcançar e fácil de complicar demais. A abordagem mais limpa para uma primeira visita é o metrô até a estação Carioca e depois o bondinho para cima — você chega pela porta da frente, por cima dos arcos, do jeito que o bairro foi feito para ser adentrado. Se você estiver hospedado lá na Zona Sul, o metrô de Ipanema ou Copacabana até a Carioca leva vinte minutos e custa alguns reais, e o nosso guia do metrô e do cartão Jaé cobre a bilhetagem para você não ficar atrapalhado na catraca.

De carro ou por aplicativo, Santa Teresa fica a quinze ou trinta minutos de trajeto desde as praias do sul, dependendo do trânsito e de qual praça você está mirando. Esta é a escolha certa depois do escurecer e a escolha certa se você estiver carregando qualquer coisa ou viajando com alguém que não esteja a fim das escadas. Os motoristas conhecem bem o bairro; dê a eles uma praça — Largo do Guimarães ou Largo das Neves — em vez de um número de rua, porque as ladeiras confundem o GPS e metade delas é mão única numa direção com que o mapa discorda.

Do morro onde estamos, no Vidigal, do outro extremo da Zona Sul, Santa Teresa é um percurso direto: descer até a orla, seguir passando por Leblon e Ipanema, subir pelo Centro. Conte com trinta a quarenta minutos fora do horário de pico. Rende uma meia diária tranquila ou uma longa tarde que vira noite, e combina naturalmente com a Lapa ao pé do morro, que é onde a noite acaba, quer você planeje ou não.

Uma coisa que não se deve fazer: não tente dirigir você mesmo e estacionar. Santa Teresa foi traçada para mulas e bondes, não para um carro alugado, e a combinação de ladeira, paralelepípedo e estacionamento inexistente vai custar uma hora e seu bom humor. Chegue de bondinho, de metrô-mais-bondinho ou de carro com motorista, e passe o dia a pé. O bairro é pequeno o bastante para se percorrer de ponta a ponta caminhando, e caminhar é a única maneira de encontrar a metade dele que não tem endereço que valha dar.

A Escadaria Selarón, ao pé do morro

Onde Santa Teresa escorre em direção à Lapa, ela esbarra na Escadaria Selarón — a escadaria azulejada que se tornou, com justiça ou não, o objeto mais fotografado do Rio depois do próprio Cristo. Duzentos e quinze degraus sobem entre a Rua Joaquim Silva e a Rua Pinto Martins, cada espelho e cada piso cobertos de azulejo cerâmico: vermelho, azul, verde, fragmentos de espelho, pratos pintados à mão, escudos de clubes de futebol, azulejos trazidos até aqui de mais de sessenta países por visitantes que continuaram enviando muito depois de o homem que começou a obra ter partido.

Esse homem foi Jorge Selarón, um pintor nascido no Chile que se estabeleceu no pé da escadaria no fim dos anos 1980 e começou a azulejá-la em 1990, primeiro com qualquer cerâmica quebrada que conseguisse garimpar, depois com doações que chegavam mais rápido do que ele conseguia assentar. Ele a chamou de tributo ao povo brasileiro e trabalhou nela obsessivamente por mais de duas décadas, sem nunca concluir de verdade, arrancando eternamente azulejos velhos para substituí-los por presentes mais novos. Ele morreu nos degraus em 2013. A cidade agora os mantém como um marco cultural tombado, e o trabalho segue mais ou menos como ele o deixou.

É gratuita, fica aberta a qualquer hora e é mais movimentada no meio do dia, quando os ônibus de excursão programam suas paradas. Vá cedo — antes das dez — e você tem os azulejos quase só para si, a luz raspando por eles, alguns moradores descendo para o trabalho. Vá no meio da tarde e você estará fotografando as costas de outras pessoas fotografando. A escadaria fica bem na costura entre Santa Teresa acima e a Lapa abaixo, que é a geografia que molda o bairro inteiro e o motivo de o nosso guia da vida noturna da Lapa e da Selarón tratar as duas como uma longa noite só.

Uma palavra sobre boas maneiras e sobre cuidado. A escadaria é uma rua funcional, não um cenário: há gente morando ao longo dela, então mantenha-se de um lado e não bloqueie as portas para tirar uma foto. E esta é a ponta do bairro onde a multidão é mais densa e a guarda mais baixa, o que faz dela exatamente onde os celulares somem. Segure a câmera com intenção, mantenha a bolsa fechada e à sua frente, e não fique parado ao pé dos degraus no anoitecer revisando suas fotos com um celular de mil dólares esticado à distância de um braço. A escadaria é segura para visitar de dia com o bom senso de sempre; ela recompensa a hora cedo em dobro, pela luz e pelo silêncio.

O horizonte do Rio na hora dourada, a Zona Sul espalhada sob um céu quente
Do alto do morro a cidade inteira do sul se abre — é essa a troca que Santa Teresa faz por não ter praia própria. ← altitude no lugar de areia
02

Os ateliês, os estúdios e o núcleo boêmio

A reputação de Santa Teresa como bairro de artistas não é uma frase de marketing enxertada depois. É a razão de verdade pela qual o bairro se parece e se comporta como se parece e se comporta. Quando os ricos do Rio se mudaram morro abaixo para as praias no início do século vinte, os grandes casarões aqui em cima se esvaziaram e barateram, e pintores, escultores, escritores e músicos ocuparam-nos pela luz, pelo espaço e pelo aluguel. Seus descendentes e sucessores continuam aqui, e a densidade de estúdios em funcionamento por rua de paralelepípedo segue sendo a mais alta da cidade.

O coração disso são duas praças. O Largo do Guimarães é a mais movimentada, onde o bondinho dá a volta e onde se concentram a maioria dos bares, os restaurantes antigos sólidos feito abrigo antiaéreo e a gravidade turística. Alguns metros adiante, o Largo das Neves é menor, mais tranquilo e mais residencial — uma praça pequena de verdade, com igreja, umas mesas espalhadas sob as árvores e a sensação de um jardim de vila que por acaso fica a cento e oitenta metros acima de uma cidade de seis milhões. Se o Guimarães é onde você chega, o Neves é onde você entende por que as pessoas ficam.

Entre e ao redor deles, os ateliês se escondem à vista de todos: uma porta pintada, uma placa escrita à mão, um pátio entrevisto por um portão. Muitos artistas abrem seus estúdios a visitantes, alguns com hora marcada e outros simplesmente quando a porta está entreaberta e o dono está com disposição. O bairro tem uma longa tradição de um fim de semana coletivo de estúdios abertos — o Arte de Portas Abertas, a arte com as portas abertas — quando dezenas de estúdios recebem o público ao mesmo tempo e o morro inteiro vira uma galeria a se percorrer. Suas datas mudam de ano para ano e ele tem acontecido de forma irregular ultimamente, então confira localmente antes de planejar uma viagem em torno dele; mesmo fora do fim de semana oficial, muitos estúdios e pequenas galerias mantêm horários regulares.

O que você está de fato comprando com uma tarde aqui em cima não é um quadro específico nem um estúdio específico. É a textura de um lugar que nunca deixou de ser feito à mão. O mosaico num muro de jardim, a escultura enferrujando num quintal da frente, o bar cujas paredes são a tela de alguém, o jeito como uma rua inteira terá combinado, aparentemente por telepatia, de ser quatro tons diferentes do mesmo azul. É o mesmo instinto que cobre a encosta de uma favela de murais, e se essa atração é o que te puxa, as nossas notas sobre onde a arte de rua de fato vive no Vidigal fazem uma boa leitura de companhia.

Não apresse esta parte. Santa Teresa pune a lista de tarefas e recompensa a perambulação. Desça do bondinho, escolha uma ladeira que desça suavemente para que a volta seja a parte cansada, e siga o que parecer interessante. Você vai topar com um mirante que não conhecia, um bar que vai querer lembrar, um estúdio de porta aberta. O bairro é pequeno o bastante para você não se perder de verdade, e cada esquina errada aqui é melhor do que as certas da maioria das pessoas.

Uma breve história do morro

Para entender por que Santa Teresa se parece com o que se parece, você precisa saber por que ela foi construída aqui em cima em primeiro lugar, o que se resume a duas coisas: um convento e a falta de água. O bairro tira o nome do convento carmelita de Santa Teresa, fundado no morro no século dezoito, que deu ao lugar sua santa e sua primeira razão de existir acima da cidade em crescimento lá embaixo. Por muito tempo foi campo de plantio e terreno religioso, tranquilo e inconveniente, alcançável só por uma subida dura.

O aqueduto mudou tudo. Os grandes arcos brancos que o bondinho hoje cruza foram construídos no século dezoito para trazer água fresca das nascentes do rio Carioca até a cidade sedenta, e quando o aqueduto saiu de uso como canal de água no fim do século dezenove, engenheiros assentaram trilhos de bonde no seu topo. De repente o morro estava conectado. Os ricos construíram casarões aqui em cima para escapar do calor, da doença e das multidões da cidade baixa, e por algumas décadas Santa Teresa foi o endereço mais elegante do Rio, um lugar de jardins, salões e vistas.

Então vieram as praias. À medida que Copacabana e depois Ipanema foram domadas e urbanizadas no início do século vinte, a moda migrou para a areia, e o dinheiro a seguiu morro abaixo. Os grandes casarões se esvaziaram e barateram, e para dentro deles se mudaram as pessoas que não podiam pagar a praia e que, de qualquer modo, não a queriam — os artistas, escritores e músicos que deram a Santa Teresa sua segunda e duradoura identidade. O leve ar de grandeza desbotada do bairro não é abandono. É o registro exato dessa história: o dinheiro veio, o dinheiro foi embora, e algo mais interessante cresceu no espaço que ele deixou vago.

Quando vir, e quando não

Santa Teresa é um bairro para o ano inteiro — os pontos são em sua maioria cobertos ou sombreados, o bondinho circula de qualquer jeito, e a altitude a mantém um grau ou dois mais fresca do que as planícies escaldantes lá embaixo. Dito isso, o morro tem horas melhores e piores e estações melhores e piores. O meio de uma tarde de verão, de dezembro a março, é castigo sobre os paralelepípedos, e um temporal transforma as ladeiras íngremes em riachos; uma visita na estação chuvosa é melhor planejada para os museus e os terraços cobertos, deixando a caminhada para as tréguas do tempo.

O bairro também incha e esvazia conforme o calendário da cidade. Durante o Carnaval, Santa Teresa toca seus próprios blocos — as festas de rua andarilhas que fazem do Carnaval do Rio o que ele é — e o morro fica barulhento, lotado e alegre de um jeito que é ou o motivo para vir ou o motivo para ficar longe, dependendo do seu apetite. Fora dos grandes eventos, as manhãs de dias úteis são as mais calmas e as melhores para o bondinho e a escadaria, enquanto as noites de fim de semana são quando os bares ganham vida. Para o panorama completo, mês a mês, de calor, chuva e multidões pela cidade, o nosso guia da melhor época para visitar o Rio faz a matemática sazonal para você acertar o momento.

Parque das Ruínas e Museu Chácara do Céu

Duas das melhores horas em Santa Teresa se passam quase lado a lado, na mesma crista, por quase nenhum dinheiro. Comece pelo Parque das Ruínas. Esta foi a mansão de Laurinda Santos Lobo, uma anfitriã da sociedade cujos salões atraíam os artistas e intelectuais do Rio do início do século vinte; depois de décadas de ruína, a estrutura foi estabilizada, coberta por passarelas de aço e vidro e transformada em um centro cultural público e gratuito. Você sobe por entre as paredes de tijolo preservadas em passadiços de metal até um terraço na cobertura, e a recompensa é uma das grandes vistas gratuitas da cidade: a catedral, as torres do Centro, a Baía de Guanabara, o Pão de Açúcar e o Cristo em seu próprio morro do outro lado do vale.

A entrada é gratuita, ele fecha um dia por semana — às segundas, na época em que este texto foi escrito — e funciona em horário diurno, mais ou menos da manhã ao começo da noite. Há um café, há frequentes pequenas exposições e shows à noite, e o terraço é, sozinho, o melhor lugar em Santa Teresa para sentar por vinte minutos e entender a geografia do Rio toda de uma vez. Venha pela vista mesmo que pule todo o resto do morro; não custa nada e é melhor do que várias coisas que custam caríssimo.

Vista aérea do Pão de Açúcar e da Baía de Guanabara no Rio de Janeiro
O Pão de Açúcar e a baía, a vista que o terraço do Parque das Ruínas te entrega de graça. ← o panorama de melhor custo-benefício do bairro

A dois minutos de caminhada fica o Museu Chácara do Céu, e ele é o destaque silencioso do bairro inteiro para qualquer um que se importe com arte. A casa modernista foi o lar de Raymundo Ottoni de Castro Maya, um industrial e colecionador, e abriga o seu acervo: mestres do moderno brasileiro, obras sobre papel, peças asiáticas e europeias, e um jardim que despenca em direção à mesma vista que você acabou de deixar. A entrada é modesta — uma questão de alguns reais, cerca de R$8 na época em que este texto foi escrito, com entrada gratuita às quartas — e ele fecha um dia por semana, então confira antes de subir.

O museu carrega uma cicatriz famosa que vale conhecer. Durante o Carnaval de 2006, ladrões entraram junto com a multidão e saíram com quatro quadros — um Picasso, um Matisse, um Monet e um Dalí — nenhum dos quais reapareceu desde então. É o tipo de história que afundaria um acervo menor e, em vez disso, acrescenta uma gravidade estranha ao que resta, que é considerável. Reserve uma hora. A casa, a arte e o jardim juntos fazem os sessenta minutos mais civilizados de Santa Teresa, e a quase ausência de multidões em comparação com o bondinho e a escadaria é, por si só, um pequeno luxo.

Onde comer e beber aqui em cima

Santa Teresa come do jeito que vive: devagar, em terraços, com a vista fazendo metade do trabalho. O bairro percorre a gama inteira, de botecos de cadeira de plástico a um par de cozinhas de fato ambiciosas, e a boa notícia é que a diferença de prazer entre elas é bem menor do que a diferença de preço. Você não precisa reservar o lugar chique para comer bem aqui em cima. Você precisa sentar em algum lugar com vista e não estar com pressa.

A instituição é o Bar do Mineiro, perto do Largo do Guimarães — um boteco decorado com fotos antigas e flâmulas de futebol que faz a feijoada do bairro há décadas. Sábado é o dia, o feijão-preto chega com todos os acompanhamentos, a prateleira de cachaça é profunda, e a clientela é uma mistura carioca de verdade de gente local e de gente que veio pela gente local. Não é refinado e não finge ser; é exatamente certo. Se a feijoada for novidade para você, leia sobre o ritual no nosso guia da comida carioca primeiro, depois vá com fome e libere a tarde.

No outro extremo fica o Aprazível, subindo uma ladeira, com um salão de jantar em jardim aberto para as copas das árvores e uma das vistas de jantar mais fotografadas do Rio, servindo um cardápio brasileiro refinado com preços à altura da paisagem. É um lugar de ocasião especial e vale reservar, sobretudo para as mesas do pôr do sol. Entre esses dois polos, o bairro é denso de pequenas cozinhas, bares de esquina e cafés que vêm e vão mais rápido do que qualquer guia consegue acompanhar, o que é exatamente por que você não deve chegar com uma lista fechada. Ande, olhe quem está comendo onde, e sente onde as mesas estão cheias de gente que claramente não é turista.

É na bebida que Santa Teresa se mostra por inteiro depois do escurecer. Os bares em torno das duas praças enchem nas noites de fim de semana com uma clientela misturada de artistas, estudantes, moradores e visitantes, as mesas transbordam para o paralelepípedo, e o morro inteiro assume a qualidade solta, musical e sem pressa que fez o seu nome. Isto é a cultura do botequim em altitude — chopp gelado, um prato de algo frito, um violão que começa sem aviso, e nenhum motivo para ir embora. É a versão da vida noturna do Rio que não envolve praia nem fila, e para muita gente é a melhor.

A leitura do furto oportunista, sem rodeios

O charme e o risco de Santa Teresa vêm da mesma coisa: ruas tranquilas, íngremes, meio vazias. Administre isso e você não terá problema.

  • A ladeira vazia é o risco, não a multidão. O problema aqui é o furto oportunista numa rua de paralelepípedo deserta, não a praça movimentada. Fique nas rotas povoadas.
  • O celular é o alvo. Não ande com ele para fora, não filme por cima da lateral aberta do bondinho, não revise fotos ao pé da Escadaria Selarón. Guarde-o no bolso entre uma foto e outra.
  • Depois do escurecer, pegue um carro. A descida a pé até a Lapa é linda de dia e uma má ideia sozinho à noite. Use aplicativo para subir e descer quando a luz for embora.
  • Leve pouco. O dinheiro de um dia, um cartão, o celular. Deixe o passaporte e o segundo cartão onde você está hospedado.
  • Leia a rua. Se uma ladeira ficar de repente vazia e silenciosa de um jeito que soa errado, volte para a rota principal. Os moradores fazem isso sem pensar; copie-os.

A relação da escadaria: Santa Teresa e Lapa

Você não consegue entender Santa Teresa sem entender o que fica no pé dela. O morro despenca direto na Lapa, o distrito de vida noturna mais barulhento do Rio, e os dois bairros são grudados pela geografia, pelo aqueduto que o bondinho cruza e, acima de tudo, pela Escadaria Selarón, que corre de um até dentro do outro. A relação é simbiótica e ligeiramente cômica: Santa Teresa é onde os artistas dormem, a Lapa é onde a festa acontece, e a escadaria é o cordão umbilical entre o estúdio e o samba.

Na prática, isso molda como uma noite se desenrola. Muitos visitantes fazem os bairros como um único arco descendente — bondinho para cima à tarde, os pontos e um jantar em jardim em Santa Teresa enquanto a luz vai embora, e depois morro abaixo até a Lapa para a música assim que ela pega. Os Arcos da Lapa que o bondinho cruza de dia viram o pano de fundo da festa de rua à noite, samba jorrando dos clubes antigos sob os arcos, o distrito inteiro adensando de gente a partir das onze mais ou menos. É uma das grandes noitadas do Brasil, e ela começa, mais frequentemente do que não, no alto de uma escadaria azulejada.

A direção importa tanto para a segurança quanto para o prazer. Descer para a Lapa numa sexta ou num sábado movimentados, a pé com a multidão, no começo da noite, é tranquilo e faz parte da diversão. Voltar sozinho às três da manhã não é. A escadaria e as ladeiras tranquilas acima dela são exatamente o tipo de lugar que é delicioso às sete e imprudente às três. Planeje a volta: um carro de uma esquina movimentada da Lapa até a sua porta, não uma subida solitária pelo escuro. O nosso guia da vida noturna da Lapa detalha toda a descida, as casas e a parte de voltar para casa.

Santa Teresa é onde os artistas dormem e a Lapa é onde a festa acontece, e a escadaria azulejada entre elas é a coisa mais honesta do Rio: ela vai te levar para baixo numa noite e não quer te levar de volta para cima às três. — sobre os dois bairros que dividem um morro

Uma leitura honesta de segurança

Vamos ser diretos sobre Santa Teresa, porque metade do que se escreve sobre ela é ou nervoso ou desonesto. Não é um bairro perigoso do jeito que os cantos tímidos da internet dão a entender. É um morro residencial cheio de famílias, estudantes e artistas trabalhando, patrulhado e povoado, onde milhares de pessoas levam vidas comuns e milhares de visitantes passam sem incidente toda semana. O que ela é, é um lugar cujo charme específico — ladeiras íngremes, tranquilas, atmosféricas, meio vazias — produz um risco específico, que é o furto oportunista. Nomeie o risco com precisão e ele se torna fácil de administrar.

O furto que acontece aqui é o furto do desatento: um celular esticado para fora da lateral aberta do bondinho e arrancado, uma bolsa deixada pendurada no encosto de uma cadeira, uma câmera balançando ao pé da escadaria enquanto o dono rola a tela. Ele se concentra onde a guarda é mais baixa e a rua mais vazia, e é por isso que as regras são todas versões de uma regra só — fique nas rotas povoadas, mantenha seus objetos de valor fechados e fora de vista, e pegue um carro depois do escurecer. Faça isso e Santa Teresa não é mais problemática do que qualquer bairro antigo e acidentado de qualquer cidade grande.

Vale colocar isso no contexto do Rio como um todo, porque os turistas costumam se preocupar com os lugares errados. O furto de rua da cidade se concentra exatamente onde os turistas se concentram: as orlas de Copacabana e Ipanema, os ônibus lotados e a Lapa de madrugada. Santa Teresa à luz do dia é mais calma do que a orla de Copacabana em todos os aspectos mensuráveis. O panorama mais amplo — onde o risco de verdade está, e onde não está — é exposto com honestidade no nosso guia sobre se o Rio é seguro para turistas, que é a coisa mais útil de se ler antes de qualquer viagem para cá.

E uma comparação que podemos fazer por conhecimento direto, porque é onde recebemos hóspedes. Lá em cima no Vidigal, no morro do outro lado, o furto contra hóspedes é essencialmente inexistente — não por policiamento mais pesado, mas pelo oposto: uma comunidade unida onde todos se conhecem, onde um hóspede hospedado num apartamento com nome é uma pessoa contabilizada em vez de um alvo anônimo, e onde a reputação é a moeda local. Santa Teresa é mais aberta e mais anônima do que isso, e é precisamente por isso que a esperteza de rua de sempre importa um pouco mais aqui. Nenhum dos dois lugares é o perigo sensacional das manchetes. Ambos recompensam a mesma atenção calma, e ambos são mais seguros para os seus pertences do que a areia famosa.

Um panorama de morro do Rio, casas empilhadas pela encosta com a cidade e o oceano ao fundo
O Rio é uma cidade de morros, e cada morro guarda suas próprias regras. Aprenda as do morro em que você está. ← a vista tem o mesmo formato de todas as cristas

Santa Teresa, num relance

Os números e horários práticos, reunidos num lugar só. Trate preços e horários como atuais na data do texto e confira os mais voláteis antes de ir.

O bondinho
Da Estação Carioca, Rua Lélio Gama, por cima dos arcos da Lapa. Cerca de R$20 ida e volta, horário diurno, mais curto nos fins de semana.
Como subir
Metrô até a Carioca e depois o bondinho, ou um carro de 15 a 30 min desde a Zona Sul. Não dirija você mesmo e estacione.
Escadaria Selarón
215 degraus azulejados, gratuita, aberta a qualquer hora, melhor antes das 10h. Na borda do morro voltada para a Lapa.
Parque das Ruínas
Gratuito, fechado às segundas, horário diurno. O melhor mirante gratuito do morro.
Museu Chácara do Céu
Cerca de R$8, gratuito às quartas, fechado um dia por semana. Uma hora tranquila de arte de verdade.
Duas praças
Largo do Guimarães (movimentado, bares, a volta do bondinho) e Largo das Neves (pequeno, local, mais calmo).
Depois do escurecer
Os bares em torno das praças são a atração; pegue um carro para subir e descer. A Lapa fica ao pé do morro.

Santa Teresa ou Vidigal: onde de fato se instalar

Eis a pergunta que muita gente está de fato fazendo quando lê um guia de bairro: não o que ver, mas onde dormir. Santa Teresa e Vidigal são as duas alternativas de morro aos hotéis da faixa de praia, e são propostas genuinamente diferentes. Nenhuma é errada. Elas servem a viagens diferentes, e a maneira honesta de escolher é ter clareza sobre o que você está trocando.

Santa Teresa te dá o boêmio-central. Você fica a minutos do Centro, da vida noturna da Lapa, dos museus e da cidade histórica, envolto em paralelepípedo, charme colonial e a companhia de um bairro de artistas em funcionamento. O que você abre mão é da praia: não há areia a uma distância caminhável, então todo mergulho é um trajeto de carro ou de metrô, e a inclinação do bairro que encanta de dia é um esforço genuíno com bagagem e depois do escurecer. Você está se instalando na cultura e na história do Rio, não na sua orla.

Vidigal te dá a orla e a vista. Você fica num morro entre o Leblon e o São Conrado, sob os picos do Dois Irmãos, com Ipanema e Leblon a um curto trajeto e um dos melhores panoramas da cidade a partir do seu próprio terraço. Você troca a posição central pela posição sul — a Lapa e o centro histórico são um trajeto de carro, não uma caminhada — e ganha a praia, a luz do oceano, as trilhas e, na nossa leitura honesta, uma história de segurança mais forte para os seus pertences. O argumento completo a favor do morro-de-praia sobre a faixa-de-praia está em por que o Vidigal supera Copacabana e Ipanema, e a visão mais ampla do terreno no nosso panorama de onde ficar no Rio.

Instale-se em Santa Teresa se…

  • Você quer museus, história e a vida noturna da Lapa na porta de casa
  • A atmosfera colonial-boêmia importa mais do que um mergulho matinal
  • Você está aqui pela cultura, não pela orla
  • Você não se importa de ir de carro à praia
  • Paralelepípedo e ladeiras íngremes com uma mala não te desanimam

Instale-se no Vidigal se…

  • Você quer a praia, a vista do mar e as trilhas por perto
  • Um panorama de terraço faz parte do sentido da viagem
  • Você valoriza uma comunidade de morro mais unida e com sensação mais segura
  • Leblon e Ipanema a um curto trajeto combinam com seus planos
  • Você fará com gosto da Lapa e de Santa Teresa um passeio de um dia
Vista aérea descendo pela encosta do Vidigal até a praia de São Conrado e o oceano
A troca do Vidigal é o oposto da de Santa Teresa: a orla e o oceano no lugar da cidade velha e do bondinho. ← ambos são morros, só um tem o mar

A boa notícia é que você não precisa se casar com um só. Muitos visitantes se instalam no morro-de-praia pela orla e pela calma e tratam Santa Teresa como o grande passeio de um dia que ela é — subir de bondinho à tarde, os pontos e um jantar em jardim, descer para a Lapa pela música, voltar de carro. É o roteiro que montamos para a maioria dos hóspedes, e ele está mapeado por inteiro no nosso roteiro de três dias no Rio. Santa Teresa é um lugar maravilhoso para passar um dia e um lugar exigente para passar uma semana; o Vidigal é onde você volta para dormir.

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Um dia em Santa Teresa, montado

Eis como as horas de fato se encaixam, se você quer um formato a seguir em vez de uma lista a marcar. Venha no meio da manhã, não logo cedo — o bondinho fica mais calmo depois da primeira correria, e o dia aqui em cima é lento por natureza. Comece pela Escadaria Selarón na chegada, enquanto a luz ainda está baixa sobre os azulejos e os ônibus de excursão não chegaram, e então caminhe ou pegue o bondinho subindo para o bairro propriamente dito.

Passe o meio do dia na crista: o Parque das Ruínas pela vista gratuita e pela mansão em ruínas, a Chácara do Céu ao lado pela arte e pelo jardim, e um almoço demorado em algum lugar com terraço no intervalo. Este é o núcleo civilizado de um dia em Santa Teresa, e ele não quer nenhuma pressa. Dê uma hora a cada uma das duas paradas culturais e ao almoço o tempo que ele levar.

Deixe a tarde para perambular — os ateliês, a praça menor no Largo das Neves, seja qual for a ladeira que pareça interessante. Não guarde nada para depois; o bairro é pequeno e o prazer está na deriva, não na cobertura. À medida que a luz vai embora, acomode-se num bar em torno de uma das praças para a hora dourada e o primeiro chopp, e decida ali se a noite acaba aqui, tranquila, no paralelepípedo, ou desce para a Lapa pela música. Qualquer uma está certa. Ambas são o Rio.

Se a sua viagem tiver espaço, teça Santa Teresa na lógica mais ampla de morros e vistas da cidade. As paradas mais altas do bondinho, no Silvestre, ficam perto da base da subida rumo ao Corcovado, então uma manhã em Santa Teresa combina naturalmente com o Cristo Redentor e, para os preparados, com as trilhas do Parque Nacional da Tijuca que a mesma floresta alimenta. E se você ainda está montando a viagem inteira, o guia completo de viagem ao Rio amarra os bairros, o timing e o dinheiro num só lugar.

Perguntas rápidas.

Santa Teresa vale a visita?

Sim, sem hesitação, por pelo menos um dia. O passeio de bondinho por cima dos arcos da Lapa, o mirante gratuito no Parque das Ruínas, o museu Chácara do Céu e os bares boêmios em torno das praças somam o bairro mais atmosférico do Rio central. É um lugar para perambular devagar em vez de riscar da lista, e combina perfeitamente com uma noite morro abaixo na Lapa.

Quanto custa o bondinho de Santa Teresa e onde eu o pego?

Conte com cerca de R$20 pela ida e volta na época em que este texto foi escrito, comprado no terminal da Estação Carioca, na Rua Lélio Gama, no Centro, a dois minutos de caminhada da estação de metrô Carioca. Ele funciona em horário diurno, com horários mais curtos nos fins de semana. Confira a tarifa e a grade atuais na véspera, já que ambas apertam sem muito aviso.

Santa Teresa é segura para turistas?

É segura com o cuidado de sempre. O bairro é residencial e povoado, e o risco principal é o furto oportunista em ladeiras tranquilas e vazias, e não algo mais grave. Fique nas rotas povoadas, mantenha o celular no bolso e a bolsa fechada, e pegue um carro para subir e descer depois do escurecer. Faça isso e você não terá problema; as orlas de Copacabana e Ipanema veem muito mais furto de rua do que este morro.

Quanto tempo devo passar em Santa Teresa?

Meia diária cobre o essencial — o bondinho, a escadaria, um mirante e um almoço. Um dia inteiro, escorregando para a noite e descendo para a Lapa, é o plano melhor e o que a maioria das pessoas gostaria de ter feito. É um lugar maravilhoso para passar um dia e um lugar exigente, por causa dos morros e da distância da praia, para se instalar por uma viagem inteira.

Dá para ir a pé da Lapa até Santa Teresa?

Dá. A Escadaria Selarón e as ruas acima dela conectam a Lapa direto ao morro, e a subida é íngreme, mas curta. É uma boa caminhada para cima à luz do dia com gente por perto. Depois do escurecer, sobretudo sozinho, pegue um carro em vez disso — as ladeiras tranquilas que encantam de dia são melhor evitadas tarde da noite.

O que há para fazer em Santa Teresa além do bondinho?

Muita coisa. O Parque das Ruínas por um terraço panorâmico gratuito, o Museu Chácara do Céu por um acervo de arte de fato bom e um jardim, a Escadaria Selarón ao pé do morro, os ateliês e pequenas galerias espalhados pelas ruas, as duas praças do Largo do Guimarães e do Largo das Neves, e os bares e terraços que fazem a noite. É um bairro para caminhar, não uma atração única.

Devo ficar em Santa Teresa ou em algum lugar com praia?

Depende da sua viagem. Santa Teresa te dá cultura, história e a vida noturna da Lapa na porta de casa, mas nenhuma praia e ruas íngremes de paralelepípedo. Um morro de praia como o Vidigal te dá a orla, as vistas do mar e as trilhas, com Santa Teresa a um passeio de um dia de distância. Muitos visitantes se instalam perto do mar e tratam Santa Teresa como o grande passeio de um dia que ela é.

A Escadaria Selarón fica em Santa Teresa ou na Lapa?

Ela abrange as duas. Os 215 degraus azulejados sobem da Rua Joaquim Silva, na Lapa, em direção a Santa Teresa, que é exatamente por que os dois bairros são tão frequentemente visitados juntos. É gratuita, aberta a qualquer hora, e melhor de se ver cedo de manhã, antes que as multidões e os ônibus de excursão cheguem.

Santa Teresa é o Rio que antecede o mito da praia e o sobreviveu — um morro de tinta, paralelepípedo e bondes onde a imaginação da cidade foi morar e nunca chegou a se mudar. Dê a ela um dia lento, ande no bonde por cima dos arcos, tome a vista gratuita a partir das ruínas, coma algo demorado e sem pressa, e deixe a noite se decidir sozinha entre um bar tranquilo no paralelepípedo e o samba ao pé da escadaria. Depois volte para a orla, e entenda por que os artistas escolheram o morro em primeiro lugar. Se essa orla for um terraço sobre o oceano do outro extremo da Zona Sul, melhor ainda; venha ver a vista de que falamos.

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